XP: Você é um coach?

Todos que me conhecem bem sabe que sou fanático por métodos ágeis, especialmente por Extreme Programming. Evangelizo o XP, dou palestras sobre esse assunto e , principalmente, procuro aplicar da melhor maneira possível essas práticas durante meu dia-dia. O livro que sempre recomendo é o Extreme Programming do Vinícius Teles e, obviamente, a bibliografia do Kent Beck sobre esse assunto.

A teoria, após a leitura desse livro a uns anos atrás, de imediato me ajudou na questão profissional, principalmente nas tomadas de decisões e como montar um esquema de trabalho que funciona para desenvolvimento de software. Porém, só a teoria não é o suficiente para dizer-se conhecedor do assunto. No dia-dia aparecem várias situações adversas e depende da capacidade do time conseguir aplicar esse conhecimento de boas práticas. A leitura de uma bibliografia nos dá informação , mas de nada adianta se ignorado na prática. A informação só se torna conhecimento quando aplicado naturalmente.

Definição de coach retirada do livro Extreme Programming (Vinícius Teles), pag 29:

O coach é o responsável técnico do projeto. O XP recomenda que um profissional tecnicamente bem preparado seja destacado para orientar a equipe de modo que ela siga as boas práticas recomendadas pelo XP. Embora também possa atuar na implementação do sistema, sua tarefa principal é assegurar o bom funcionamento do processo e buscar formas de melhorá-lo continuamente.

Em métodos ágeis o time precisa ser auto-gerenciável e todos precisam estar preocupados com a qualidade do projeto, boas práticas, métricas e cobertura de testes. Todos precisam buscar melhorar o processo de desenvolvimento, pesquisar sobre novas ferramentas de testes, automatizar tarefas, acompanhar e manter a integração contínua do projeto. O coach precisa ter um bom conhecimento técnico para ajudar o time no desenvolvimento e, principalmente direcionar a equipe a cumprir essas práticas importantes. Ele ajuda a manter o foco na qualidade e no processo de desenvolvimento. Busca motivar as pessoas para desempenharem a cada dia o melhor de si.

Quando a interação, ou se preferir sprint, não está caminhando bem, o coach precisa auxiliar o time a identificar o que pode ser melhorado. É preciso identificar esses pontos e definir um plano de ação e indicar responsáveis por melhorar o processo. O time não pode encarar essa divisão de responsabilidade como uma cobrança top-down. O objetivo do coach não é cobrar pois assim o time deixa de ser auto-gerenciável.

Vejo que práticas do XP já são muito bem conhecidas mas as vezes não tão bem compreendidas. Algo que sempre recomendo em toda equipe que trabalho é a programação em par. Já escutei de tudo sobre essa prática e dificilmente vejo que as pessoas entenderam o real benefício disso. Definição do livro:

No XP, os desenvolvedores implementam as funcionalidades em pares, ou seja, diante de cada computador, existem sempre dois desenvolvedores que trabalham junto para produzir o mesmo código. Essa prática, que recebe o nome de programação em par permite que o código seja revisado permanentemente, enquanto é construído. Também contribui para que a implementação seja mais simples e eficaz, já que os desenvolvedores se complementam e tem mais oportunidade de gerar soluções inovadoras.

Tanto para tarefas simples como para mais complexas, se exige desenvolvimento, o trabalho sai melhor se feito por duas pessoas. Problemas de design são melhor identificados se o desenvolvimento é em par. A revisão de código é feita no ato evitando bugs mais obscuros. O foco na tarefa é maior tendo em vista que a “internet” pode desviar a atenção. Conhecimentos técnicos e de negócio são compartilhados entre a dupla a todo momento.

Eu particularmente gosto muito de parear, pois sempre aprendo coisas novas com outra pessoa. Nessa prática procuro sempre passar todo meu conhecimento para quem parea comigo. Gosto sempre de trocar duplas justamente para que a equipe evolua integralmente. Parear com devs de backend, interface, testadores, independente da especialidade.

Considerando a importância de parear, mesmo  dentro de uma equipe entrosada e experiente, vejo ser imprescindível parear com pessoas novas na equipe mesmo já tendo um bom conhecimento técnico. Conhecimentos de negócio vem com o andamento do projeto e a aceleração de aprendizagem é muito maior quando realizado o pair. Se por algum motivo o código não foi desenvolvido em pair, é necessário que haja a revisão do código entregue, preferencialmente por outra pessoa que não o autor.

O XP procura transmitir idéias através de metáforas. “Se você está mudando de casa, prefere carregar o sofá sozinho ou carrega em dois?” Apenas para concluir essa questão, pair programming não é só quando um desenvolvedor precisa de ajuda, é para realizar o trabalho mais bem feito. 🙂

Outra questão bastante polêmica é a integração contínua. Regra básica: Nunca PUSH sem BUILD. Ou seja, não integre seu código se for quebrar o build. E se quebrar, o foco é totalmente em arrumar o build e não continuar comitando ou fazendo novas features. Quando o build está quebrado os outros desenvolvedores perdem toda a confiança em fazer alterações no código. Outros vão querer descobrir porque quebrou o build e todo o time é prejudicado com isso. Em algumas equipes na Gonow, se um código quebra o build ou não tem cobertura de testes, o commit é desfeito até que haja cobertura ou que o build seja arrumado. Eu sou totalmente a favor dessa prática pois obriga que o time tenha a cultura de não descuidar da qualidade do projeto.

É normal em um time ocorrer argumentações sobre design como nomes de attributos, métodos, responsabilidades de modelos. Discussões sobre o design são sempre sadias pois visam melhorar a qualidade final. O XP fala de simplicidade e coragem. Simplicidade para fazer apenas o necessário para satisfazer o que vai trazer Valor para o cliente. Coragem entre outros para fazer refatorações sem medo de quebrar regras importantes no sistema. Recomendo fortemente a leitura dos livros Refactoring do Martin Fowler e o Código Limpo de Bob Martin.

O importante em equipes é que aconteça a inspeção e adaptação no processo em busca da melhoria contínua. Todas essas práticas do XP tem o objetivo de atingir os seguintes Valores:

Feedback, Comunicação, Coragem, Simplicidade e Respeito

A reflexão que quero deixar sobre o tema desse post é: O que um lider técnico precisa para se tornar um coach? O que você faz no dia-dia para conseguir direcionar sua equipe a obter o sucesso?

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Comportamento de Software

 Behaviour-Driven Development (BDD) é o desenvolvimento de software dirigido ao seu comportamento. É a união de desenvolvimento guiado por testes (TDD) e Design dirigido ao domínio da aplicação (DDD).

Para entender direito o que é BDD é necessário comentar sobre TDD e DDD. Nesse post quero focar no TDD. Um assunto tão importante como esse merece muita atenção!

Quando acontece um bug num software é bastante comum os desenvolvedores gastarem mais tempo tentando achar o erro do que consertar o erro em si, principalmente se o sistema não tiver testes automatizados.

O TDD é uma prática usada por times que seguem Extreme Programming. Desenvolvedores que não usam essa prática se encaixam em um dos itens abaixo:

  • Tem preguiça de fazer testes
  • Faz os testes no final
  • Não conhecem os benefícios de o TDD trás.
Existem desenvolvedores que confiam tanto no seu trabalho que deixam para outros testarem o que desenvolveu. Porém um bug pode não ser pego no teste de outros e ocorrer quando estiver em produção.
Os que deixam os testes para o final podem não lembrar de testar todos os cenários. E se ocorrer atrasos no projeto o primeiro que vai ser cortado são os testes.
Para quem não conhece os benefícios do TDD fale a pena comentar um pouco do assunto.

Iniciar essa prática pode parecer um pouco difícil e chato, mas para a equipe de XP isso se torna muito natural. Todo código implementado deve coexistir com um teste automatizado, para garantir o funcionamento do software com a entrada de novas funcionalidades. Esses testes automatizados garantem a qualidade do software pois, se uma nova codificação afetar alguma regra de negócio, o teste deve instantaneamente apontar o problema antes que o release seja entregue. Quando essa automatização existe, os desenvolvedores ficam com mais coragem de alterar uma parte do código que ele não desenvolveu e eles tem mais confiança de fazer refatorações necessárias para melhorar o código. A Refatoração é muito importante seja para facilitar a manutenção do sistema ou para melhorar a performance do código, mas que seja feira sem alterar a funcionalidade do software. Geralmente a gente refatora quanto encontramos códigos duplicados, pouco legíveis, mal codificados, sem padronizações, lentos etc.

Primeiro implemente o que (comportamento) você quer testar, e execute testes de sucesso que garantam falhas do sistema e testes de sucesso que garantam o bom funcionamento. Depois disso você implementa a funcionalidade em questão.

Uma boa prática de trabalhar com TDD é fazer o que o pessoal de XP chama de seguir “passos de bebê”. O benefício disso é que quando você faz um teste para um software que tem poucas linhas é bem mais difícil de você ter inserido um bug. E a medida que a funcionalidade vai crescendo os testes automatizados tem que continuar executando, tanto os de falha quanto os de sucesso.

Fazer TDD não é apenas testar a aplicação e sim fazer um design simples. Muitos problemas de acoplamento das suas classes serão percebidos quando escrever um teste. TDD é muito relacionado com refactoring, tornando o código fácil de ler. O fato das pessoas não saberem o que testar e como testar torna uma barreira para fazer os testes, mas depois de se conhecer os benefícios e começar a praticar, o desenvolvimento guiado por testes tente a ser uma maneira natural de pensamento. 

“Nos dias de hoje, é irresponsabilidade um desenvolvedor entregar qualquer linha de código sem que exista um teste unitário para comprovar o seu funcionamento” frase de Bob Martin

Existem basicamente dois tipos de testes, os testes de unidade e os testes de aceitação (integração). Os testes de unidade seriam para testar os métodos de uma classe. Já os de integração tem como objetivo validar a integração das classes que implementam uma funcionalidade, atendendo as necessidades de maneira correta. Os testes de integração, na maioria dos casos, são descritos pelos clientes, mas quem implementa são os desenvolvedores.

Para fazer testes automatizados temos muitas ferramentas disponíveis, basta usá-las.

Testes unitários, em Java, temos JUnit, UnitNG, JMock. Para testes de integração temos o Selenium, Fit, Fitnesse. Ferramentas de BDD JBehaveJDavebeanSpecInstinct.

Em Ruby on Rails temos autotest para automatização dos testes. Para BDD tem ótimas ferramentas como RSpec Shoulda.

Em Javascript, para o JQuery, temos o JQunit. Para BDD tem o JSSpec.

Para Integração Contínua tem o CruiseControl.

Para verificar a cobertura de testes temos o EmmaCloverJCover.

Precisei fazer uma refatoração num sistema que não tinha testes unitários e as classes eram bastante acopladas. Mas isso não foi problema para eu criar os testes. Usei o JMock e criei objetos de mentira para simular outras classes que não era minha intenção testar. O JMock pode ser usado para simular uma classe que faz acesso a banco, HTTPRequest ou qualquer outra classe do seu sistema. Um exemplo de uso nesse post.

Um excelente exemplo de TDD pode ser lido nesse post da Improve It.

Uma das ferramentas que mais gostei foi o Selenium. O Selenium-IDE funciona como um robozinho que grava as ações em uma tela. Por exemplo o click em um botão deve trazer uma lista de resultados. Se ao disparar o teste do botão a listagem não aparecer, o Selenium-IDE avisa que tem erro no sistema. A ferramenta pode disparar o mesmo teste em vários browsers diferentes.

Quando pensamos em qualidade no software devemos lembrar das ferramentas ideais para nos auxiliar em nosso ambiente. Pensar nos testes como sendo automatizados, pois são mais eficientes que qualquer teste de usuário, o qual também é importante.

Resistência à Mudanças

As metodologias ágeis enfrentam muitas resistências no mercado. Muitas vezes a resistência está em nós mesmos! 

Esse post causou uma boa polêmica e levantou vários pontos que o mercado utiliza para não adotar agilidade (Vejam os comentários aqui). Conheço o Fábio, e ele é um arquiteto de muitíssima competência com várias certificações e demonstra bem o que muitas empresas pensam a esse respeito. Porém uma opinião tem que ser formada quando se conhece bem os opostos. Muitas perguntas passam por nossa cabeça quando a gente depara com um novo paradigma, é normal!

Como estimar prazos em uma metodologia ágil? Como fica o contrato? Como garantir implementar funcionalidades dentro do escopo?

Um dos grandes ganhos da metodologia ágil com certeza é estimativa de prazos. O Scrum tem várias técnicas para estimar um prazo conciso. Mas como estimar? O Scrum tem o Planning Poker.

 

E se a estimativa falhar? É mais difícil isso acontecer pois os sprints (iterações) devem ser curtos, mas se acontecer o Scrum tem o Sprint Retrospective, Sprint Review. 

Como aprender com os erros? Sprint Backlog atualizado. Como manter o time auto-motivado? Daily Scrum. Como fazer códigos melhores? Pair Programming.

O assunto é muito rico. Tem muitos cursos bons no mercado. Para quem gosta de auto-estudo eu recomendo os livros:

 

Alguém já pensou nos problemas que a gente enfrenta. Sempre ouvimos a frase “Não reinventar a roda”.

Apenas mais um ditado que gosto muito:

“Um tolo erra e insiste no erro

Um inteligente aprende com os próprios erros

Um gênio aprende com os erros dos outros”

Metodologia Ágil

Estava conversando sobre metodologias com um amigo, gerente de projeto da empresa o qual trabalho, e quando falei de Scrum ele se mostrou muito interessado no assunto. Porém fui surpreendido quando ele falou que conhecia outra metodologia, o famoso XP, e disse que se o Scrum for como o XP seria uma carta fora do baralho. Curioso em saber o porquê ele me disse que trabalhar em par é coisa de criança, e não tinha mais argumentos para falar sobre o XP. Então eu expliquei que tem o outro lado da moeda. Trabalhar em par possibilita a troca de conhecimentos da equipe e a codificação é revisada a todo momento. E para fazer críticas a uma metodologia temos que pelo menos entendê-la como um todo, e não por causa de uma ou duas regras dessa.

Muita gente ainda tem preconceito de metodologias ágeis pois acha que isso não vai pegar, mas por puro desconhecimento nem imagina que isso já pegou! No Brasil ainda não está muito difundido, mas acretido que o mercado está mudando. Grandes empresas já adotam essa metodologia, como por exemplo a Globo.com com alguns cases de sucesso. Mas por que estão adotando agilidade? Vejamos:

Os projetos atuais e tradicionais não estão tendo sucesso! Gantt Chart não funciona! Processos waterfall não funcionam! As fábricas de software não estão conseguindo cumprir os prazos porque esse modelo tem muitos problemas!

Esse gráfico é antigo, mas acredito que hoje ainda não esteja muito diferente. Ele mostra que apenas 16% tem sucesso e são entregues no prazo.

Muitos comparam a engenharia de informática com engenharia mecânica mas são engenharias completamente diferentes. Na informática a formula ( Progresso = Número de Pessoas / Número de Tarefas) não é verdade.

Um modelo em cascata, também conhecido como waterfall, tem o seguinte aspecto:

Já num modelo incremental essas fases devem ocorrer a todo tempo. Em curtos intervalos de tempo todas essas fases devem ser executadas e revisadas.

Muita gente diz que aplica RUP mas na verdade faz tudo waterfall. Passam meses fazendo páginas e mais páginas de documentação e entregam para desenvolvedores que precisam ler tudo, interpretar os textos e traduzir tudo em código. Sempre ocorre problemas de interpretação e geralmente nem tudo é lido antes de começar o desenvolvimento. Depois vem a frase conhecida do cliente “mas não era isso que eu queria”. Acontece que é difícil manter a documentação porque os requisitos mudam. As vezes o cliente descobre o que realmente queria depois que começa a usar o software, e o que mais vemos é trabalhos e re-trabalhos. Esses documentos, muitas vezes chamados de contrato, serão o alicerce de discussões entre clientes e prestadores. Vejam, eu não sou contra documentação e nenhuma das metodologias ágeis falam que não deve ter documentação! Documentação é importante, mas é mais importante o software funcionando do que o detalhamento de todos os escopos num documento. Melhor ainda se a documentação for executável para garantir que está refletida no código.

Por isso que surgiu as metodologias ágeis, por isso que surgiu o Scrum, por isso surgiu o Manifesto Ágil!

Comecei a utilizar técnicas do Scrum junto com técnicas de XP e obtive melhorias em meu trabalho rapidamente. Essas idéias ágeis formam um framework de processos que resolve a maioria dos problemas conhecidos, então por que não usar? Será que é muito difícil?

É claro que não é a certeza do sucesso, mas se a equipe for bem  qualificada e atenta, dificilmente ocorrerá desvios que possam prejudicar o andamento do projeto.