Comportamento de Software

 Behaviour-Driven Development (BDD) é o desenvolvimento de software dirigido ao seu comportamento. É a união de desenvolvimento guiado por testes (TDD) e Design dirigido ao domínio da aplicação (DDD).

Para entender direito o que é BDD é necessário comentar sobre TDD e DDD. Nesse post quero focar no TDD. Um assunto tão importante como esse merece muita atenção!

Quando acontece um bug num software é bastante comum os desenvolvedores gastarem mais tempo tentando achar o erro do que consertar o erro em si, principalmente se o sistema não tiver testes automatizados.

O TDD é uma prática usada por times que seguem Extreme Programming. Desenvolvedores que não usam essa prática se encaixam em um dos itens abaixo:

  • Tem preguiça de fazer testes
  • Faz os testes no final
  • Não conhecem os benefícios de o TDD trás.
Existem desenvolvedores que confiam tanto no seu trabalho que deixam para outros testarem o que desenvolveu. Porém um bug pode não ser pego no teste de outros e ocorrer quando estiver em produção.
Os que deixam os testes para o final podem não lembrar de testar todos os cenários. E se ocorrer atrasos no projeto o primeiro que vai ser cortado são os testes.
Para quem não conhece os benefícios do TDD fale a pena comentar um pouco do assunto.

Iniciar essa prática pode parecer um pouco difícil e chato, mas para a equipe de XP isso se torna muito natural. Todo código implementado deve coexistir com um teste automatizado, para garantir o funcionamento do software com a entrada de novas funcionalidades. Esses testes automatizados garantem a qualidade do software pois, se uma nova codificação afetar alguma regra de negócio, o teste deve instantaneamente apontar o problema antes que o release seja entregue. Quando essa automatização existe, os desenvolvedores ficam com mais coragem de alterar uma parte do código que ele não desenvolveu e eles tem mais confiança de fazer refatorações necessárias para melhorar o código. A Refatoração é muito importante seja para facilitar a manutenção do sistema ou para melhorar a performance do código, mas que seja feira sem alterar a funcionalidade do software. Geralmente a gente refatora quanto encontramos códigos duplicados, pouco legíveis, mal codificados, sem padronizações, lentos etc.

Primeiro implemente o que (comportamento) você quer testar, e execute testes de sucesso que garantam falhas do sistema e testes de sucesso que garantam o bom funcionamento. Depois disso você implementa a funcionalidade em questão.

Uma boa prática de trabalhar com TDD é fazer o que o pessoal de XP chama de seguir “passos de bebê”. O benefício disso é que quando você faz um teste para um software que tem poucas linhas é bem mais difícil de você ter inserido um bug. E a medida que a funcionalidade vai crescendo os testes automatizados tem que continuar executando, tanto os de falha quanto os de sucesso.

Fazer TDD não é apenas testar a aplicação e sim fazer um design simples. Muitos problemas de acoplamento das suas classes serão percebidos quando escrever um teste. TDD é muito relacionado com refactoring, tornando o código fácil de ler. O fato das pessoas não saberem o que testar e como testar torna uma barreira para fazer os testes, mas depois de se conhecer os benefícios e começar a praticar, o desenvolvimento guiado por testes tente a ser uma maneira natural de pensamento. 

“Nos dias de hoje, é irresponsabilidade um desenvolvedor entregar qualquer linha de código sem que exista um teste unitário para comprovar o seu funcionamento” frase de Bob Martin

Existem basicamente dois tipos de testes, os testes de unidade e os testes de aceitação (integração). Os testes de unidade seriam para testar os métodos de uma classe. Já os de integração tem como objetivo validar a integração das classes que implementam uma funcionalidade, atendendo as necessidades de maneira correta. Os testes de integração, na maioria dos casos, são descritos pelos clientes, mas quem implementa são os desenvolvedores.

Para fazer testes automatizados temos muitas ferramentas disponíveis, basta usá-las.

Testes unitários, em Java, temos JUnit, UnitNG, JMock. Para testes de integração temos o Selenium, Fit, Fitnesse. Ferramentas de BDD JBehaveJDavebeanSpecInstinct.

Em Ruby on Rails temos autotest para automatização dos testes. Para BDD tem ótimas ferramentas como RSpec Shoulda.

Em Javascript, para o JQuery, temos o JQunit. Para BDD tem o JSSpec.

Para Integração Contínua tem o CruiseControl.

Para verificar a cobertura de testes temos o EmmaCloverJCover.

Precisei fazer uma refatoração num sistema que não tinha testes unitários e as classes eram bastante acopladas. Mas isso não foi problema para eu criar os testes. Usei o JMock e criei objetos de mentira para simular outras classes que não era minha intenção testar. O JMock pode ser usado para simular uma classe que faz acesso a banco, HTTPRequest ou qualquer outra classe do seu sistema. Um exemplo de uso nesse post.

Um excelente exemplo de TDD pode ser lido nesse post da Improve It.

Uma das ferramentas que mais gostei foi o Selenium. O Selenium-IDE funciona como um robozinho que grava as ações em uma tela. Por exemplo o click em um botão deve trazer uma lista de resultados. Se ao disparar o teste do botão a listagem não aparecer, o Selenium-IDE avisa que tem erro no sistema. A ferramenta pode disparar o mesmo teste em vários browsers diferentes.

Quando pensamos em qualidade no software devemos lembrar das ferramentas ideais para nos auxiliar em nosso ambiente. Pensar nos testes como sendo automatizados, pois são mais eficientes que qualquer teste de usuário, o qual também é importante.

Resistência à Mudanças

As metodologias ágeis enfrentam muitas resistências no mercado. Muitas vezes a resistência está em nós mesmos! 

Esse post causou uma boa polêmica e levantou vários pontos que o mercado utiliza para não adotar agilidade (Vejam os comentários aqui). Conheço o Fábio, e ele é um arquiteto de muitíssima competência com várias certificações e demonstra bem o que muitas empresas pensam a esse respeito. Porém uma opinião tem que ser formada quando se conhece bem os opostos. Muitas perguntas passam por nossa cabeça quando a gente depara com um novo paradigma, é normal!

Como estimar prazos em uma metodologia ágil? Como fica o contrato? Como garantir implementar funcionalidades dentro do escopo?

Um dos grandes ganhos da metodologia ágil com certeza é estimativa de prazos. O Scrum tem várias técnicas para estimar um prazo conciso. Mas como estimar? O Scrum tem o Planning Poker.

 

E se a estimativa falhar? É mais difícil isso acontecer pois os sprints (iterações) devem ser curtos, mas se acontecer o Scrum tem o Sprint Retrospective, Sprint Review. 

Como aprender com os erros? Sprint Backlog atualizado. Como manter o time auto-motivado? Daily Scrum. Como fazer códigos melhores? Pair Programming.

O assunto é muito rico. Tem muitos cursos bons no mercado. Para quem gosta de auto-estudo eu recomendo os livros:

 

Alguém já pensou nos problemas que a gente enfrenta. Sempre ouvimos a frase “Não reinventar a roda”.

Apenas mais um ditado que gosto muito:

“Um tolo erra e insiste no erro

Um inteligente aprende com os próprios erros

Um gênio aprende com os erros dos outros”

Divisão de Responsabilidades

Quando eu falei sobre divisão de responsabilidades no post anterior eu não quis dizer uma pessoa fazer o trabalho de todos, muito pelo contrário! E para uma equipe maior que umas 9 pessoas pode ser impraticável algumas técnicas do Scrum, por exemplo o Daily Scrum que tem o objetivo de ser rápido. Mas quando ocorre um time tão grande assim? Não é impossível ter muitas pessoas num projeto. Eu particularmente já participei de um time de 11 desenvolvedores. Nesse caso talvez algumas técnicas do Scrum me ajudasse, mas não todas! Porém a maioria das vezes a equipe não é tão grande, então quanto mais técnicas usar, melhor!

Mas vamos pensar um pouco. Um problema que acontece muito nos projetos atuais é o software final não sair da maneira que o cliente esperava, e aí ocorrem os retrabalhos. Por que isso acontece tanto? Não quero generalizar, só vou dar um exemplo. Ocorre porque no levantamento do projeto os analistas de negócio fazem toda a documentação e passam para uma fábrica de software implementar. Os desenvolvedores são cobrados por prazos e muitas vezes não lêem todas as 50 páginas do documento e fazem da forma que entenderam podem interpretar de maneira erronea, a não ser que exista um documento de Visão que não permita esse mal entendimento. Eles não participaram das reuniões com o cliente não sabem o escopo do projeto o que facilitaria o entendimento e possibilitaria ter uma visão macro do projeto. Mesmo se o conhecimento for passado do analista de requisitos para o desenvolvedor por meio de uma conversa, não será tão bom como o próprio cliente passar o conhecimento, pois esse último é o que realmente entende do negócio. As vezes um intermediário pode causar o problema de telefone sem fio. Daí quando o projeto está quase acabando já é tarde demais. Comentei sobre isso nesse post.

Uma metodologia ágil deve dizer que o cliente tem que estar sempre próximo do time, e quanto mais desenvolvedores participarem das reuniões, sobre os requisitos por exemplo, é melhor. No scrum existe os papéis de Product Owner (pode pensar no cliente do exemplo citado), o Time, e o Scrum Master. Isso muitas vezes é o suficiente.

Devemos ter testers? Sim, mas se o time trabalhar com TDD do Extreme Programming pode ser que não precise.

Podemos ter analistas de negócios? Sim, desde que não seja um intermediário.

IBM adotando Metodologia Ágil?

Estive dia 18/06 no evento IBM Development Conference 2008 e quero comentar sobre a estratégia que a IBM vem tendo com metodologias ágeis e processos. Espero lembrar de bastante coisa para poder compartilhar as idéias.

O evento começou com um filme de computação gráfica com a intenção de mostrar os problemas reais de desenvolvimento de software. O filme foi apresentado em vários capítulos divididos entre as palestras. Os heróis, ainda sem seus poderes, eram o desenvolvedor, a tester, o gerente de projeto, o arquiteto etc. Eles começaram a ter os problemas que a gente não conhece no dia-dia dos projetos por exemplo apagar incêndios! E começaram a ser ameaçados por inimigos, outros personagens gráficos, que representam os problemas reais que aparecem nos projetos. E ameaçaram dizendo aos heróis: Salvem o seu dia de trabalho se puderem, se é que conseguirão salvar seus trabalhos. Daí apareceu um cara com uma testa enorme, um tipo de oráculo. Esse cara surgiu para acordar os heróis pra vida e ajudá-los a salvar o dia de trabalho e depois….

Não peguei o final da estória! Se alguém souber pode comentar o post. Apesar que está um pouco óbvio quais são as ferramentas que eles vão usar no final do filme. Agora vamos ao que interessa.

A maior aposta da IBM está sendo na plataforma Jazz, uma integração em tempo real de pessoas, processos e ferramentas. O nome é uma metáfora a um conjunto musical mesmo. Essa é uma iniciativa de trabalho em conjunto para entregar mais VALOR e melhor performance para um investimento de software. O Jazz não é nada novo, já faz uns dois anos de vida, mas está na versão beta e eles pedem para a comunidade contribuir e cadastrar idéias de melhorias, que vai ter um desenvolvedor lá para implementar.

A um tempo atrás eu falei sobre a importância de uma Metodologia Ágil, e a IBM não quer ficar para trás. Eles estão adotando internamente uma Engenharia de Software Ágil chamada IRUP, uma abreviação de IBM Rational Unified Process.

Eles se mostraram muito preocupados em unir desenvolvimento ágil com a governança, como um “Investimento disciplinado”.

“Tailoring governance is a progress.”

Com uma Governança adequada eles citaram:

  • É mais fácil ficar aderente aos padrões
  • Detecção de resolução de defeitos antecipadamente
  • Melhor previsibilidade dos projetos.
Uma frase interessante foi:
“Muitos clientes só sabem o que querem quando eles vêem o que não querem.”

Porque a IBM está falando em agilidade? A própria IBM concorda que RUP + CMM trouxe muita coisa que não era realmente necessário para o desenvolvimento de software. Eles falaram:

“Os clientes que usam RUP e CMM estão na verdade fazendo mais processo do que eles realmente precisam.”

“Deve-se fazer menos reuniões e relatórios”

“Ter um maior aproveitamento dos especialistas e do conhecimento.”

Eles falaram também que:

“Software funcionando é mais importante que o processo!”

 

Uma coisa dita em uma das palestras sobre agilidade foi focar em ferrementas, e não regras. Será que isso tem o mesmo significado do que fala o Manifesto Ágil em que pessoas e interações são mais importantes que processos e ferramentas?  

Para trabalhar com agilidade basta post-its! Apesar que gostei da experiência de usar o Mingle com template para Scrum. Só que a IBM se mostrou preocupada com equipes distantes como, por exemplo, desenvolvedores no Brasil, testers na Índia e gerentes de projeto na Europa. E para isso propôs uma ferramenta para gestão de processos ágeis: O Rational Team Concert. Tráta-se uma ferramenta de gerência de metodologia ágil e é também uma gerência de build. Ela foi a primeira ferramenta construída totalmente na plataforma Jazz. Segundo eles é uma ferrameta muito fácil de instalar, roda no tomcat e pode ser customizado com a metodologia ágil de preferência (IRUP, Scrum, Open Up…)

Os times ágeis, para a IBM, devem trabalhar com desenvolvimento de software dirigido a mudanças e haver uma integração contínua. A produtividade deve aparecer no primeiro dia, pois o início do projeto deve começar em dias e não em semanas. Deve haver uma redução do tempo até o primeiro Demo. Um exemplo foi:

“Microsoft gera um build cada 3 anos.

O Flickr faz deploy todos os dias.”

Alguns dados que eles passaram:

  • 37% dos usuários estão satisfeitos com a velocidade do desenvolvimento dos projetos.
  • 50% dos projetos terceirizados performam abaixo do esperado.
  • 42% dos usuários acham a qualidade satisfatória.

Teve uma palestra sobre Testes de Software e Gerenciamento de Qualidade, o que a IBM ainda considera um débito em relação ao mercado. Por isso eles estão lançando o Rational Quality Manager. Essa e outras ferramentas é que compões o Jazz. Mas segundo eles será possível integrar com outras ferramentas de mercado, por exemplo o Bugzilla.

Nenhuma das palestras que participei falaram de XP ou Scrum. O que eu mais ouvi sobre métodos ágeis foi sobre desenvolvimento em iteração, o que já existia no RUP. Esse IRUP me pareceu um RUP um pouco melhorado, com menos documentações e muita ferramenta. 

Agora tenho a seguinte dúvida: Será que a metodologia ágil da IBM trará os benefícios que Scrum + XP trás para nós? Os heróis do filme da animação gráfica eram em 6, ainda não é muita divisão de responsabilidades para um time ágil?

Metodologia Ágil

Estava conversando sobre metodologias com um amigo, gerente de projeto da empresa o qual trabalho, e quando falei de Scrum ele se mostrou muito interessado no assunto. Porém fui surpreendido quando ele falou que conhecia outra metodologia, o famoso XP, e disse que se o Scrum for como o XP seria uma carta fora do baralho. Curioso em saber o porquê ele me disse que trabalhar em par é coisa de criança, e não tinha mais argumentos para falar sobre o XP. Então eu expliquei que tem o outro lado da moeda. Trabalhar em par possibilita a troca de conhecimentos da equipe e a codificação é revisada a todo momento. E para fazer críticas a uma metodologia temos que pelo menos entendê-la como um todo, e não por causa de uma ou duas regras dessa.

Muita gente ainda tem preconceito de metodologias ágeis pois acha que isso não vai pegar, mas por puro desconhecimento nem imagina que isso já pegou! No Brasil ainda não está muito difundido, mas acretido que o mercado está mudando. Grandes empresas já adotam essa metodologia, como por exemplo a Globo.com com alguns cases de sucesso. Mas por que estão adotando agilidade? Vejamos:

Os projetos atuais e tradicionais não estão tendo sucesso! Gantt Chart não funciona! Processos waterfall não funcionam! As fábricas de software não estão conseguindo cumprir os prazos porque esse modelo tem muitos problemas!

Esse gráfico é antigo, mas acredito que hoje ainda não esteja muito diferente. Ele mostra que apenas 16% tem sucesso e são entregues no prazo.

Muitos comparam a engenharia de informática com engenharia mecânica mas são engenharias completamente diferentes. Na informática a formula ( Progresso = Número de Pessoas / Número de Tarefas) não é verdade.

Um modelo em cascata, também conhecido como waterfall, tem o seguinte aspecto:

Já num modelo incremental essas fases devem ocorrer a todo tempo. Em curtos intervalos de tempo todas essas fases devem ser executadas e revisadas.

Muita gente diz que aplica RUP mas na verdade faz tudo waterfall. Passam meses fazendo páginas e mais páginas de documentação e entregam para desenvolvedores que precisam ler tudo, interpretar os textos e traduzir tudo em código. Sempre ocorre problemas de interpretação e geralmente nem tudo é lido antes de começar o desenvolvimento. Depois vem a frase conhecida do cliente “mas não era isso que eu queria”. Acontece que é difícil manter a documentação porque os requisitos mudam. As vezes o cliente descobre o que realmente queria depois que começa a usar o software, e o que mais vemos é trabalhos e re-trabalhos. Esses documentos, muitas vezes chamados de contrato, serão o alicerce de discussões entre clientes e prestadores. Vejam, eu não sou contra documentação e nenhuma das metodologias ágeis falam que não deve ter documentação! Documentação é importante, mas é mais importante o software funcionando do que o detalhamento de todos os escopos num documento. Melhor ainda se a documentação for executável para garantir que está refletida no código.

Por isso que surgiu as metodologias ágeis, por isso que surgiu o Scrum, por isso surgiu o Manifesto Ágil!

Comecei a utilizar técnicas do Scrum junto com técnicas de XP e obtive melhorias em meu trabalho rapidamente. Essas idéias ágeis formam um framework de processos que resolve a maioria dos problemas conhecidos, então por que não usar? Será que é muito difícil?

É claro que não é a certeza do sucesso, mas se a equipe for bem  qualificada e atenta, dificilmente ocorrerá desvios que possam prejudicar o andamento do projeto.