QCon London 2009 – Retrospectivas

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Retrospectivas de times ágeis parecem ser algo bem simples de se fazer, porém na prática muitas dificuldades podem surgir. Durante sua apresentação no QCon 2009, Linda Rising falou sobre aplicar boas Retrospectivas e como não deixar que elas tenham efeitos colaterais.

Na retrospectiva acontece de o time não lembrar das coisas ruins e boas para ser discutidas e, portanto, os problemas podem continuar ocorrendo posteriormente. Outro problema que ocorre é eleger culpados, ao invés de pensar em soluções.

Algumas considerações da Linda Rising abaixo:

Em intervalos regulares, o time reflete sobre como se tornar mais efetivo, então melhora e ajusta seu comportamento em conformidade. Esses intervalos não podem ser muito longos porque os acontecimentos podem cair em esquecimento na hora da retrospectiva. O ideal é que ocorra uma mini-retrospectiva durante todos os dias. Devemos nos perguntar: “O que aconteceu nessa manhã?”. “O que eu deveria fazer para evitar que algo ruim que ocorreu hoje não ocorra mais?”. E para não cair em esquecimento, a pessoa pode escrever a idéia no cartão e colocar na parede para ser discutido na retrospectiva do sprint. Os cartões devem estar em um lugar fácil para todo o time visualizar, assim alguém pode até resolver um problema antes mesmo de ser discutido na reunião de retrospectiva. Usar cartões coloridos para identificar algo bom ou ruim também é interessante.

“Uma retrospectiva é uma oportunidade para os participantes aprender como melhorar. O foco é no aprendizado – não na busca de culpados.” Norm Kerth do livro Project Retrospectives

Reflita e encontre uma melhor maneira.

O que é uma retrospectiva?

“Temos que testar nosso conhecimento constantemente – usando práticas como retrospectivas. Isso deve ser feito depois de cada ciclo iterativo ao invés de esperar o final do projeto.” Jim Highsmith

Por que uma retrospectiva?

Retrospectivas são para aprender do passado. Queremos acreditar que aprender de experiências é automático, mas para isso é necessário habilidades profundas. Experiência fornece dados, não conhecimento.

O objetivo é planejar o futuro para se aprimorar.

“Pessoas querem aprimorar-se mas geralmente elas não sabem em que trabalhar para isso. Quando elas recebem bom feedback em pontos específicos, libera uma inclunação natural interna para melhorar” James Fallows.

“Tenho visto um um time inteiro fazendo reflexão, descobrindo, e ensinando muito. Acredito que não existe melhor maneira de melhorar a performance e qualidade do time.” Norm Kerth

Exemplos de Retrospectivas

Linda apresenta dois exemplos clássicos sobre retrospectivas.

  • Post-fire Critiques é um artigo que explica como uma retrospectiva pode ser importante em trabalhos que envolvem a vida de humanos. Bombeiros, tal como todos os seres humanos, cometem erros. Quando bombeiros cometem um erro no emprego, no entanto, pode colocar a própria vida em risco, aos seus colaboradores, e para o público que servem. No entanto, bombeiros vão continuar cometendo erros e podem repetir um erro grave.
  • The CEO & The Monk – corporate funeral.

O que retrospectiva não é?

Uma coisa muito importante é o que a retrospectiva não é.

“Não nomeie, não culpe. Mas um louvor é sempre bem vindo.”

Essa frase quer dizer que em uma retrospectiva, nunca devemos “dar nome aos bois”. Não devemos citar nomes em hipótese nenhuma. O objetivo também não é achar culpados. Por mais que todos saibam quem é o culpado, na retrospectiva devemos falar do problema mas sem falar em nomes. Linda deu um exemplo: “Devemos melhorar os processos de banco de dados. Todos sabem quem é o DBA, mas não deve ser citado nomes nunca. O objetivo é de refletir e melhorar”.

Primeira diretiva de Kerth:

“Independentemente daquilo que descobrir, temos de entender e realmente acredito que todos fizeram o melhor trabalho que poderia, dado o que ficou conhecido na época, a sua competência e habilidades, os recursos disponíveis, bem como a situação na mão”

Essa diretiva é excelente para que não sejamos direcionados a achar culpados dos erros.

Por que ter tanto tempo?

Nossa memória é pequena e seletiva. Temos a tendência em focar em eventos recentes, especialmente se eles são dolorosos. Humanos necessitam de ajuda para lembrar, transformar experiência (dados) em aprendizado (conhecimento). Facilitadores externos são requeridos

Horas apropriadas para retrospectivas

Realizar tanto no final do projeto quanto durante o projeto. Durante o projeto pode ser feita depois de um sprint ou em resposta a uma “surpresa”.

Quem deve participar?

Desenvolvedores, Marketing, QA, Gerentes.

Exercício

Linda Rising fez um exercício muito interessante sobre a linha do tempo. Pediu para as pessoas escreverem sobre acontecimentos em cartões, durante um período que representa a linha do tempo. Cartões que representam: Desafio, Surpresa e Felicidade. Cada um com sua cor respectiva. Analisando essa linha do tempo sabemos o que foi bom (What Worked Well), o que tivemos dificuldade e que surpresas ocorreram (What To Do Differently). Essa informação também ajuda a saber se tem algo mehorando, priorando ou algo que sempre ocorre dentro dos sprints.

Linha do Tempo - Sprint 1

Linha do Tempo - Sprint 1

Linha do Tempo - Sprint 2

Linha do Tempo - Sprint 2

Linha do Tempo - Sprint 3

Linha do Tempo - Sprint 3

O que acoontece antes da retrospectiva?

Requisitos de dados de eventos, dados de esforço e artefatos. Conversa com gerentes. Inquéritos com os participantes.

O que acontece durante?

Leituras, analise do passado, e preparo para o futuro. Existem alguns exercícios como: Definir Sucesso, Linha do Tempo. Durante a retrospectiva podemos determinar ações a ser tomadas nos próximos releases ou projetos e criar planos de ação para identificar o próximo “experimento”.

O que acontece depois?

Podem ser feitos Relatórios de Retrospectivas, sobre o que aconteceu bem que não deve ser esquecido. Documentar o que pode ser feito diferentemente, planos de ação, definir experimentos, aplicar patterns.

Crie Segurança

É comum que pessoas se sintam desconfortáveis em falar de problemas, principalmente se estiverem diante de seu chefe. Crie uma atmosfera segura no qual o time se sinta bem confortável para falar abertamente e honestamente.

Como o conhecimento é compartilhado?

Postando na web, encontros de time, foruns técnicos, cursos de treinamento.

Como vender retrospectivas?

Pessoas podem achar que é perca de tempo, mas o propósito de retrospectivas é o aprendizado. Evitar erros recorrentes, identificar e compartilhar práticas bem sucedidas, preparar para a próxima interação e projetos futuros.

“Todos dizem que querem aprender, mas poucos separam tempo para fazer isso”

E finalmente Linda recomenda seu livro sobre patterns:

Fearless Change: Patterns for introducing new ideas, May Lynn Manns & Linda Rising, Addison-Wesley, 2005

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4 Respostas to “QCon London 2009 – Retrospectivas”

  1. André Faria Gomes Says:

    Grande Almeida. Parabéns!
    Muito obrigado por compartilhar seu apredizado com a Linda. Realmente ela é admirável. Continue escrevendo, gostei muito do artigo, muito completo e rico em detalhes. Abraço.

  2. Luiz Faias Jr Says:

    Fala Ricardo,

    Muito legal o post, com material bem detalhado em relação ao que aconteceu no tutorial.

    Vamos continuar com os “experimentos” como forma de melhorar nossas retrospectivas.

    Abraço

  3. Relatos do QCon London 2009 « Manifesto na Web! Says:

    […] QCon London 2009 – Retrospectivas […]

  4. Anderson Says:

    Olá Ricardo,

    Muito bom “post”. Muito antes de conhecer o Scrum, eu procurei uma formação de Coaching de Equipes porque acredito que as pessoas possam alcançar além da soma dos desempenhos individuais.

    Percebo que muitas retrospectivas, no que trata a questão de amadurecimento do time, são totalmente atrapalhadas. Os Scrum Masters não procuram técnicas ou embasamento… Pior ainda, pensam que simplesmente criar um grito de guerra do tipo “Vamos melhorar!” é o suficiente.

    Posso estar enganado, mas modelos ágeis como Scrum não falam como você deve construir seu time. Isso é bom.

    Artigos como o seu estimulam-me a trabalhar neste sentido. Não estava acostumado com gestão ágil e estas cerimônias, mas convido a você e a todos que participam do seu blog a nos aprofundarmos no tema. Existe muitas técnicas e metodologias para quase tudo, mas a questão humana no que se refere a crescimento social (competência, amadurecimento, ética, etc.) tem sido muito pouco abordado.


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